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Saca de soja bate recorde e se aproxima dos 100 reais no Médio Araguaia

As cotações da saca de soja de 60 kg na região do Médio Araguaia bateram seu recorde neste mês de maio. Na segunda-feira (11/05), conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o preço de balcão em Canarana-MT estava em média a R$ 94,75 e em Querência-MT a R$ 93,75.

Foi a primeira vez na história que a saca ultrapassou a casa dos 90 reais na região. No Mato Grosso, a saca superou os 100 reais (R$ 102,00) em Primavera do Leste, conforme o Imea. Nos portos, a saca está valendo até R$ 115,00.

O representante comercial de uma trading que possui armazém em Querência e que compra soja em todo o Médio Araguaia, disse para a AGRNotícias que, apesar do preço recorde, poucos produtores têm soja disponível e poucas tradings estão comprando neste momento. Porém, para quem tem soja disponível e pode entregar no mês de julho, essa trading está pagando até um pouco mais, R$ 95,00 a saca.

Conforme o Imea, em boletim do último dia 08/05, 11,02% da soja da safra 19/20 produzida no Mato Grosso ainda não foi comercializada. No Médio Araguaia ainda há produtores com soja nos armazéns sem comercializar. No ciclo 2019/20, conforme o entrevistado, o preço médio alcançado pela maioria dos produtores da região foi de R$ 70,00 a saca, ou seja, quase R$ 25,00 a menos que a cotação de maio.

Um dos principais motivos para a elevação dos preços é o dólar, batendo na casa de R$ 5,80, avalia o representante comercial. Isso fez com que a saca, mesmo perdendo cotação em dólar na comparação com a safra passada, ganhasse preço em reais.

Safra 2020/21

Neste momento, a soja futura, para entrega em fevereiro e pagamento em abril de 2021, está sendo comprada pela trading entrevistada a R$ 85,00 a saca no Médio Araguaia. Na região, as negociações seguem adiantadas, com cerca de 70% da soja 20/21 já comercializada, conforme tradings e produtores ouvidos pela reportagem. No Mato Grosso, o Imea avalia que 37,25% do grão já foi negociado, num patamar elevado nunca antes registrado para a época.

O produtor canaranense Victor Polegatto de Carvalho, que planta 2.050 hectares de soja, conta que comercializou 70% da sua expectativa de produção da safra 2020/21 e o preço negociado foi em média R$ 80,00. “Um terço a R$ 75,00, um terço a R$ 80,00 e um terço a 85,00”, disse.

Como poucos acreditavam nessa expressiva alta do dólar e, consecutivamente, na valorização pela conversão, a maioria dos produtores vendeu boa parte de sua produção futura quando os preços alcançaram a casa dos R$ 80,00, em média R$ 10,00 a mais por saca que na última safra.

Custo de produção

Neste ano, enquanto colhia a soja do ciclo 2019/20, aproveitando os bons preços da saca em dólar, em média acima de U$ 16,00, muitos produtores do Médio Araguaia aproveitaram para fazer a aquisição dos insumos da safra 2020/21 na base da troca. Como a maioria dos insumos também tem sua base de preço vinculada em dólar e a cotação da soja na moeda americana estava atrativa, foi preciso menos sacas para fazer a troca. “Fiz minha troca em janeiro. {…} Vendi a soja mais barata, mas com o dólar mais barato, paguei mais barato nos insumos. {…} Estava mais vantajoso que hoje”, disse Vitor.

Como o preço da soja em dólar caiu em maio, em média U$ 14,50 a saca, significa que o produtor que deixou para comprar os insumos da próxima safra neste mês, apesar de ganhar mais em reais pela soja futura, está ganhando menos em dólar. Para comparação, na safra passada, a tonelada de adubo estava sendo vendida a uma média de R$ 2.100, sendo necessário 30 sacas de soja a R$ 70,00 para adquirir o produto. Agora em maio, a tonelada do adubo subiu para R$ 2.800 e, com a soja futura a R$ 85,00, seria preciso quase 33 sacas para comprar o mesmo produto.

Por Rafael Govari e Lavousier Machry para a AGRNotícias.

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