Um caso considerado promissor para a ciência brasileira ganhou destaque após o bancário paulista Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, voltar a andar depois de sofrer uma lesão cervical completa em um acidente automobilístico ocorrido em 28 de abril de 2018.
A recuperação está associada à aplicação experimental da polilaminina, fármaco desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro ao longo de mais de duas décadas. O estudo é liderado pela pesquisadora e bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, principal responsável pelo desenvolvimento da substância, junto a uma equipe técnica vinculada à universidade.
Acidente e primeiros sinais de recuperação
O acidente aconteceu durante uma viagem em família entre São Paulo e Teresópolis. Freitas dormia no banco traseiro, sem cinto de segurança, quando ocorreu a colisão. A lesão medular interrompeu a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo.
Duas semanas após o ocorrido, a equipe médica registrou o primeiro sinal de recuperação: o movimento do dedão do pé. Nos meses seguintes, houve progressão funcional significativa. Atualmente, Freitas consegue caminhar sem auxílio e, em registros recentes, aparece empurrando uma cadeira de rodas.
A aplicação do medicamento ocorreu 24 horas após o acidente, durante cirurgia realizada no Hospital Adão Pereira Nunes. O procedimento incluiu a instalação de suportes de titânio na base do pescoço, onde houve compressão medular, e na região abaixo das escápulas, devido a fratura vertebral.
O que é a polilaminina?
A polilaminina é uma versão sintética da laminina, proteína produzida naturalmente pelo organismo, especialmente durante o desenvolvimento embrionário do sistema nervoso. A proposta do tratamento é estimular a regeneração de conexões nervosas rompidas após lesões na medula espinhal — condição que pode resultar em paraplegia ou tetraplegia.
Apesar dos resultados animadores, o medicamento ainda é experimental e não foi aprovado para uso clínico regular. O laboratório Cristália, responsável pela fabricação, mantém tratativas com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a primeira de quatro fases de testes clínicos, etapa destinada a avaliar a segurança da substância.
O caso reacende a esperança para pacientes com lesão medular e destaca o potencial da pesquisa científica brasileira na busca por terapias inovadoras.

















