Querência

Pequi de Canarana-MT é exportado para a Europa

Para os brasileiros que vivem fora do país, ter acesso a pratos típicos do Brasil muitas vezes parece impossível. O pequi, natural do bioma cerrado, está cada vez mais ocupando espaço na culinária brasileira e, aos poucos, se tornando acessível também em outros países. Em Canarana – MT, um paulista, natural de Cafelândia, investiu há quase 30 anos  na cultura, profissionalizou a produção, industrializou a fruta, certificou o produto e mais recentemente passou a exportar o pequi para países europeus.

Édemo Corrêa chegou ao Médio Araguaia mato-grossense em 1980 e em 1989 adquiriu o sítio Água Limpa, de 90 hectares, a 55 km da sede do município. Casado com Vilma Reche Corrêa, possui hoje 40 hectares da cultura, com 8 mil pequizeiros produzindo e mais mil aguardando a maturidade produtiva.

A exportação ocorre por meio da empresa Cantinhos do Brasil, que faz a entrada no produto no mercado europeu por Portugal. Os maiores consumidores no exterior, segundo Ivan Reche Corrêa, filho de Edemo, são brasileiros, que pela chamada “culinária de recordação”, procuram produtos originais brasileiros. A cada remessa, entre 4 e 5 toneladas de pequi, embalados a vácuo e congelados, são enviados para países europeus.

O pequi é uma árvore da família das cariocaráceas nativa do cerrado brasileiro. É consumido principalmente nos estados de Goiás, Minas Gerais, Tocantins e Mato Grosso. Algumas espécies nativas do Mato Grosso demoram até cinco anos para produzir e as encontradas no Estado de Goiás, até 10 anos.

Dificuldades e Oportunidades

Para manter a oferta constante de produto em períodos de entressafra o produtor investiu em uma estrutura de beneficiamento da fruta e armazenamento, com câmaras frias, com capacidade de alocar 30 toneladas de pequi. O principal desafio da atividade, conforme afirma Ivan, é o custo da armazenagem referente à Energia Elétrica. “Na estrutura para industrializar, para poder beneficiar ele {o pequi}, precisamos resolver a questão da energia, que encarece muito o custo de produção. Fazendo conta, entre imposto e energia, acaba sendo melhor vender ele em natura”, afirma Ivan.

Além da produção do fruto, a propriedade Água Limpa também atua na produção de mudas de pequi das mais variadas, com ou sem espinho, polpa branca ou amarela e até com opções de tamanho do fruto. A variedade é resultado de anos de investigação da família, buscando mudas em várias localidades. Todo ano, são produzidas entre 4 a 5 mil mudas, sem o uso de técnicas de enxerto, que, pelas técnicas de manejo empregadas, começam a produzir com apenas dois anos.

Espaço para crescimento da cultura

Para quem quer entrar na atividade, Ivan afirma que “tem demanda e o mercado do pequi está pouco explorado. Em 2019, por exemplo, vai faltar produto para atender a demanda, já que mercado interno está crescendo mais que a exportação”. Ivan ainda sugestiona que, antes de iniciar no cultivo, o produtor planeje a atividade e veja o que se encaixa no seu objetivo na propriedade, visto que por um tempo haverá investimento sem renda imediata. “O produtor precisa ver se quer fazer consórcio com pastagem, por exemplo, ou só o pequi.”

Na propriedade de Édemo Corrêa, em anos de boa safra, como em 2018, até 20 empregos diretos são gerados. Em 2019, contudo, apenas 6 empregos foram gerados. Mesmo com a produção menor este ano, o cultivo mantém-se atrativo: “Aqui é uma região boa, porque os compradores vêm aqui buscar. Rondonópolis, Cuiabá, Primavera do Leste, no Mato Grosso, Rio Verde e Jataí, no Goiás, são grandes consumidores e vem aqui buscar, porque pra vender no varejo, nos mercados, não pode ser pequi de extrativismo, precisa ser de produtor regulamentado”, conclui Ivan.

Por AGRNotícias.

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