
O Tribunal do Júri de Nova Mutum realizará dia 22 de janeiro, o julgamento dos irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, acusados de envolvimento no assassinato da produtora rural Raquel Cattani, ocorrido em julho de 2024, na zona rural do município, a cerca de 242 quilômetros de Cuiabá. Raquel tinha 26 anos, filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL).
A sessão será conduzida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, da 3ª Vara de Nova Mutum, que estabeleceu uma série de normas para organização, segurança e acesso ao julgamento, diante da repercussão do caso.
Entre as medidas, ficou definido que o plenário terá capacidade máxima de 60 pessoas, com controle rigoroso de acesso. Desse total, 10 vagas serão destinadas à imprensa, sendo permitido apenas um representante por veículo de comunicação. O credenciamento deve ser solicitado até o dia 20 de janeiro, e, caso haja mais pedidos que vagas, será realizado sorteio pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Também está proibida a gravação de áudio, vídeo ou qualquer tipo de transmissão em tempo real. Apenas a assessoria de imprensa do TJMT poderá registrar imagens e sons, que serão posteriormente disponibilizados aos veículos interessados. O trabalho jornalístico dentro do plenário não será permitido, e as informações sobre o andamento da sessão deverão ser repassadas apenas fora do ambiente interno.
Acesso do público e segurança
Além das vagas destinadas à imprensa, 25 lugares serão reservados a familiares e pessoas próximas da vítima e dos réus, mediante envio prévio de documentação que comprove vínculo. Outras 25 vagas serão destinadas ao público em geral, com inscrições via WhatsApp até a mesma data, também sujeitas a sorteio.
O uso de celulares, notebooks e outros aparelhos eletrônicos dentro do plenário está vetado para todos, com exceção da magistrada, advogados e servidores que atuam diretamente no processo. A fiscalização será feita pela Polícia Militar, com apoio de detectores de metal. A segurança do local será reforçada durante todo o julgamento.
A juíza também determinou a proibição de manifestações públicas de autoridades relacionadas ao caso durante a sessão, com o objetivo de preservar a imparcialidade dos jurados e a regularidade dos trabalhos.
O crime e a acusação
Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Romero, ex-marido de Raquel, é apontado como o mandante do crime, enquanto Rodrigo teria sido o executor. As investigações indicam que Romero não aceitava o fim do relacionamento e teria oferecido uma quantia em dinheiro ao irmão para matar a ex-companheira.
Conforme o processo, no dia do crime, Raquel foi atacada dentro da própria residência, localizada no Assentamento Pontal do Marape. O corpo foi encontrado no dia seguinte pelo pai da vítima. Após o assassinato, o executor teria fugido do local levando pertences da produtora rural.
Os dois irmãos foram presos poucos dias após o crime. A denúncia foi aceita pela Justiça em agosto de 2024, e ambos foram pronunciados para julgamento pelo Tribunal do Júri em dezembro do mesmo ano. A decisão foi mantida após recursos das defesas, com trânsito em julgado em outubro de 2025.
No dia da sessão, os réus participarão presencialmente, sem uso de algemas e vestindo roupas civis, conforme determinação judicial.
Quem era a vítima
Raquel Cattani era produtora rural e empreendedora, fundadora da Queijaria Cattani, reconhecida pela produção de queijos artesanais premiados e pela contribuição ao setor. Ela deixou dois filhos menores, que atualmente estão sob a guarda dos avós maternos.
Querência News/ Letícia Nunes
Com informações: Repórter MT



















