Na manhã desta quarta-feira (25/02/2026), durante o tradicional café da manhã com produtores rurais, o presidente do sindicato, Osmar Frizzo, fez um alerta contundente sobre os desafios enfrentados pelo agronegócio no município e em toda a região.
Entre os principais pontos abordados, a colheita da soja foi destaque. Segundo Frizzo, na semana passada a estimativa era de aproximadamente 60% da área colhida. Nesta semana, o índice avançou para 75%. Apesar do crescimento, o presidente classificou o ritmo como preocupante.
De acordo com ele, as chuvas intensas e praticamente diárias nos últimos três dias têm impedido o avanço das máquinas no campo. “A colheita não está conseguindo andar. Isso gera uma preocupação muito grande”, destacou.
Logística agrava cenário
Outro fator que tem pressionado os produtores é a logística. Durante um estradeiro promovido pela FAMATO (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso), foi constatado um congestionamento de aproximadamente 25 quilômetros em Miritituba, em Itaituba (PA), no acesso ao porto para descarregamento de grãos.
A longa fila de caminhões aumenta o custo do frete e compromete ainda mais a rentabilidade do produtor. Para Frizzo, o problema logístico brasileiro continua sendo um dos principais gargalos do setor.
Invasão em porto gera indignação
Também foi debatida a invasão indígena registrada no porto da Cargill, em Santarém. O episódio gerou forte reação entre os produtores presentes.
Segundo Frizzo, a situação é inadmissível e prejudica diretamente a imagem do agronegócio brasileiro no cenário internacional. Ele ressaltou que as empresas vêm investindo na melhoria da infraestrutura portuária e que ações como essa afetam toda a cadeia produtiva.
FETHAB entra na pauta de reivindicações
Outro tema sensível discutido no encontro foi o valor do FETHAB (Fundo Estadual de Transporte e Habitação), taxa cobrada sobre a comercialização de produtos como soja, milho, gado, feijão e gergelim.
Com a queda nos preços das commodities e relatos de redução de produtividade, variando entre 10% e 20% em comparação com safras anteriores, o impacto financeiro tem sido significativo.
Frizzo destacou que, embora três reais por saca possam parecer pouco, ao considerar 100 sacas o valor representa 3% do total bruto. Quando analisado sobre a margem líquida do produtor, o impacto pode ultrapassar 10% do lucro.
Diante desse cenário, entidades do setor estão se mobilizando e elaborando ofícios aos governadores para reivindicar a redução ou até mesmo a extinção da taxa.
“É uma demanda urgente. Se nada for feito, o impacto financeiro será muito forte para o produtor”, reforçou.
Convite aos produtores
Ao final do encontro, o presidente reiterou o convite para que todos os produtores rurais participem do próximo café da manhã, que acontece na próxima quarta-feira, mantendo o espaço aberto para debate e alinhamento das demandas do setor.
O clima entre os participantes foi de apreensão, mas também de mobilização. Em meio às incertezas climáticas, gargalos logísticos e pressão tributária, o agro regional segue buscando alternativas para manter a sustentabilidade econômica da produção.
Querência News/ Elisa Coelho



















