DestaqueMato GrossoPolícia

PF mira empresários que usam “laranjas” para fraudarem dividas com a união em MT

Foi cumprido 1 mandado de prisão em Barra do Garças e 10 busca e apreensão em outras cidades

Polícia Federal deflagrou na última sexta-feira (19/06/20) a Operação Ecdisona, visando reprimir organização criminosa dedicada à prática de crimes tributários e empresariais, falsidades ideológicas, fraude a credores, estelionato, organização criminosa e lavagem de capitais. 30 policiais cumprem dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva em Barra do Garças. As ordens foram expedidas pela Justiça Federal do município.

As investigações apontam que os suspeitos vinham realizando operações fraudulentas em empresas da região com grandes dívidas tributárias e previdenciárias, aliciando empresários que se beneficiam de forma ilícita ao frustrarem o pagamento de obrigações.

A fraude operada consiste na prática de alterações societárias fictícias e concomitante sucessões societárias fraudulentas, sempre com uso de “laranjas” (pessoas que “emprestam” os nomes para ocultar a identificação de outras pessoas). Assim, estes indivíduos tornavam-se sócios proprietários das empresas inadimplentes, procedendo alterações de dados e espécie empresarial, sempre com informações inverídicas.

Enquanto isso, novas sociedades empresariais eram constituídas pelos verdadeiros empresários, muitas vezes no mesmo endereço das empresas. O esquema permitia a continuação da exploração de atividade econômica desonerada de qualquer dívida inscrita.

Por meio de sucessões e alterações fictícias de regimes empresariais, bem como constituição de novos CNPJs, os empresários conseguiam desonerar-se de forma criminosa de diversas dívidas, entre elas, as tributárias e previdenciárias.

Para ilustração, uma das empresas investigadas possuía dívidas ativas com a União na ordem de R$ 5 milhões. Ao mesmo tempo, as antigas empresas (inadimplentes) eram deixadas nas mãos dos “laranjas” (alguns dedicados ao crime de tráfico de drogas), que não possuíam qualquer capacidade financeira para serem alcançados em futuros processos de execução, concretizando o “estouro de empresas”.

As investigações da Polícia Federal em Barra do Garças prosseguirão com ações previstas para os próximos dias.

O nome da operação é uma referência ao hormônio responsável pela “ecdise”, processo de troca de exoesqueleto (troca de pele) de alguns animais como as cobras. De forma análoga a estes animais, as empresas beneficiadas pelo esquema criminoso, antes endividadas, realizaram alterações empresariais que permitiram continuar suas atividades sob nova roupagem, livre de dívidas.

 

Folha Max

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.
Botão Voltar ao topo
Fechar

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios